Jovens são movidos por desafios - entrevista
02/09/2012
Jovens são movidos por desafios
É na juventude, etapa da vida mais efervescente, que se travam as lutas e conquistas mais importantes e demarcadoras
No mês de setembro, duas datas celebram a juventude. A primeira na próxima quarta-feira, dia 5, Dia da Juventude, e a segunda no dia 22, Dia Nacional da Juventude. Essa é uma etapa da vida de todos que merece ser celebrada, não apenas nesses dois dias, mas o tempo todo e intensamente. Em Bauru, um grupo de jovens se destaca pela ousadia, persistência, talento e outras qualidades que fazem deles uma referência e um exemplo de como a perseguição de um sonho pode dar tempero à vida e deixá-la muito mais saborosa (leia mais na página 13).
Histórias como a do jovem Hugo Toffanelo, que acordou um belo dia e decidiu dar um outro rumo à sua vida. Um giro de 180 graus. Ele simplesmente fez as malas e foi tentar a sorte na Irlanda. “Meus últimos empregos (em Bauru) não estavam tão satisfatórios quanto eu queria”, conta. Ele trabalhou cinco anos em uma loja de departamento e outros tantos em uma financeira.
“Não é um trabalho fácil, cansa o corpo e a mente”, diz. Hugo relata que um sábado de manhã, acordou com o telefone de casa tocando e atendeu dizendo o nome da assessoria financeira. “Isso me deixou em pânico, e como já tinha alguns problemas anteriores devido ao estresse do cotidiano, decidir mudar. Foi a única saída!”, revela. “Eu precisava de um novo desafio, que me mantivesse vivo, entende? Algo grandioso!”
Foi quando no fim de 2008, juntamente com um amigo que também não aguentava mais o cotidiano caótico, decidiram partir. “Vendi meu carro, consegui um dinheiro com a família e fui à luta”, comenta. A decisão quanto ao destino já havia sido tomada. Era Dublin, capital da Irlanda, onde estavam alguns amigos deles.
Em princípio, a estadia seria apenas de um ano de intercâmbio, para aprender inglês e conhecer o país. Mas a realidade foi bem diferente para o jovem. “Chegando aqui, dei de cara com a oportunidade de conquistar muito mais que apenas um segundo idioma.” Ele conta que a experiência adquirida ao longo de três anos foram muitas, dentre elas conhecer pessoas de todo os lugares do mundo e países um tanto quanto exóticos como Marrocos, Egito e também desfrutar de lugares paradisíacos como Ibiza, na Espanha.
Cotidiano
Segundo ele, o cotidiano de brasileiros no Exterior, geralmente é bem duro (baseado em relatos de brasileiros na Irlanda). “Algumas vezes sofremos com a descriminação e nos sujeitamos a trabalhos desgastantes. Principalmente, porque o inverno é bem rigoroso e por ser um país que tem uma média de mais de 200 dias de chuva por ano.”
No entanto, de acordo com ele, não é nada que não se possa suportar e “levar no peito” como aprendizado de vida e, mais importante, aprender a dar valor ao que tem. “Infelizmente, só damos o devido valor às coisas quando não as temos mais. Isso inclui família, amigos, mordomias e conforto do lar, e acima de tudo morar no seu país”, lista ele.
Hugo passou três anos na Irlanda sem retornar para o Brasil. Ele fez isso há aproximadamente três meses. A demora, segundo ele, deu-se mais pela falta de dinheiro. Ele conta que o valor de uma passagem para o Brasil equivale a uma viagem de uma semana por países da Europa.
O jovem diz pensar no retorno ao País, mas antes quer concluir a faculdade de TI na Irlanda. “Penso no retorno sim, porque não existe lugar melhor no mundo que seu país de origem, junto de sua família e amigos”, afirma.
Para a psicóloga Gretta Rodrigues de Souza, um dos aspectos que têm diferenciado os jovens de hoje dos de ontem é o individualismo que afeta uma parte deles. Segundo ela, essa é uma particularidade que precisa ser melhor trabalhada e até prevenida pelos pais que hoje têm filhos pequenos, ou seja, que estão com a personalidade em formação.
Gretta diz que valores, como companheirismo e dedicação para se alcançar um objetivo de forma honesta, tem de ser ensinado dentro de casa. “Uma parte dos jovens tem recebido as coisas de uma forma tão fácil dos pais, que eles têm dificuldades quando precisam conquistar algo com o próprio esforço”, observa. “Quando tudo vem muito fácil, os jovens não aprendem a lutar.”
‘Ser jovem é ter fome de viver’
Ser jovem é ser multitarefa, é ter fome de viver, de fazer, de correr atrás. As palavras são da estudante de jornalismo Regiane Folter, que atualmente está na Inglaterra, fazendo um curso de inglês e cultura britânica na Universidade de Oxford. É um curso com duração de três semanas, com aulas e palestras todos os dias, e ainda inclui alguns passeios culturais, como visitas a museus.
Ela descobriu o intercâmbio pela Unesp, que tem parceria com o banco Santander. O banco realiza todos os anos uma série de programas de intercâmbios. O que ela está participando chama-se Top UK, e oferecia três vagas para alunos de diferentes universidades, com a Unesp entre elas. Uma das vagas ficou com Regiane.
“Uma das coisas mais legais desse intercâmbio é que eu não estou gastando com estadia e alimentação, já que estou morando e fazendo minhas refeições na faculdade Christ Church, em Oxford. E também não pago pelo curso. Então, meus gastos são bem pequenos”, relata.
Ela explica que exatamente por ter tantos benefícios e por ser um curso em uma das melhores universidades do mundo, a seleção foi muito criteriosa. “Eu fico muito feliz por ter passado e estar aqui representando minha universidade e o meu País. Acho que o certificado de Oxford vai enriquecer meu currículo e torná-lo mais atrativo para empresas de comunicação”, comemora.
A jovem pretende voltar ao Brasil, concluir o terceiro ano da universidade e correr atrás de oportunidades de estágio no quarto ano. Além do enriquecimento profissional, a experiência em um país estrangeiro é classificada como maravilhosa pela estudante. “Ela abre a cabeça, leva você a conhecer lugares, pessoas e situações que nunca imaginou e faz você refletir mais criticamente sobre o seu país e sua posição nele”, observa.
Ela diz que muitos jovens se sentem pressionados quando o classificam como “o futuro da nação”. “Apesar de acreditar nessa premissa, acho que essa ideia pode assustar alguns jovens, ao invés de ser algo motivador.”
Regiane aponta ainda um certo preconceito da sociedade com os jovens, como se fossem sinônimos de bagunça e de irresponsabilidade. “Será que foi por sorte que eu consegui esse intercâmbio, ou por trabalho duro e dedicação? Meu professor aqui em Oxford disse uma frase que define muito bem vários jovens que eu conheço: ‘party hard, work harder’, ou seja, ‘divirta-se muito, trabalhe ainda mais’. É assim que eu vejo a juventude hoje em dia”, conclui.
Quem também trabalha duro, mas para manter o corpo em perfeita sintonia com a mente é o jovem Caio Kasai, 16 anos. Praticante do crossfit, um programa de condicionamento físico recém-chegado a Bauru.
A novidade promete um amplo, geral e equilibrado nível de aptidão física e saúde para qualquer tipo de pessoa, independente da idade, nível de condicionamento físico, seja este iniciante ou atleta avançado.
O coach Kiko Mendonça explica que o treinamento é baseado em exercícios funcionais (do dia a dia) de alta intensidade e capaz de proporcionar bons resultados em um curto período de tempo.
Ele cita inclusive um episódio envolvendo uma aluna que esqueceu as chaves de casa e não tinha como entrar. Segundo o coach, graças ao treinamento do crossfit, ela conseguiu pular o muro de três metros de altura e entrou. Mas para chegar a este estágio tem de suar muito.
É o que faz Caio, diariamente. Segundo ele, o crossfit permite que ele faça os esforços do dia a dia com mais qualidade e menos riscos para o organismo, como agachar, saltar e levantar peso. De acordo com ele, o problema é que no começo o corpo todo dói em razão do esforço exigido pelo treinamento.
Nascidos para vencer
Alguns jovens exibem talento precoce para determinados esportes e são grandes promessas para o futuro
Eles estão chegando agora à juventude e já apresentam as credenciais. São troféus e medalhas conquistados com muito suor e sacrifício. São jovens talhados para o sucesso, mas que, apesar das diversas conquistas, mantêm os pés bem firmes no chão.
O ginasta Henrique de Lima vem chamando a atenção no mundo esportivo já há algum tempo, não apenas em Bauru, mas fora daqui também. Hoje, ele está com 15 anos, mas com 13 já enchia o pescoço com medalhas de ouro. Ele estreou em competições oficiais em 2009, quando tinha apenas 12 anos. Na ocasião, o técnico Genivaldo Carlos da Silva, o “Massa”, relata que os resultados não foram expressivos. Foi um começo discreto.
No entanto, no ano seguinte, nos Jogos Regionais de Lins, o talento emergiu. Henrique venceu quase todas as modalidades que disputou. Das oito que participou, ele ficou com a medalha de ouro em seis e em outra ficou com a de prata, totalizando sete medalhas.
Em 2011, o garoto foi campeão brasileiro na ginástica de solo na categoria infantil. Este ano, novamente em Lins, nos Jogos Regionais, ele conquistou quatro medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze. “O Henrique está evoluindo muito rápido”, observa o técnico.
Ciente dessa evolução, o menino faz planos ousados, bem a cara dos jovens, mas nada impossíveis. “Penso em participar das Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro. Esse é o meu objetivo. Sei que vai ser difícil, mas isso não é motivo para eu desanimar. Sei que tenho de me esforçar muito, e estou disposto para isso”, afirma. Henrique treina de segunda à sexta-feira, três horas por dia.
Disposição semelhante exibe a jovem amazonas Ágatha Christal, 16 anos, que, apesar da pouca idade, coleciona troféus de todos os tipos e tamanhos. “Faço o esporte mais lindo do mundo, que poderia estar dentro dos esportes das Olimpíadas, mas infelizmente não está, que é a prova dos 3 tambores e 6 balizas”, diz ela.
Aos 13 anos, ela já dava mostras de que levava jeito para a coisa. “Eu tinha apenas 39 dias de treinamento na escolinha de tambor e baliza, e minha classificação foi o 3º lugar, com o cavalo da própria escolinha. Nessa época, eu ainda não tinha meu próprio cavalo. Com esse resultado, meus pais viram que eu tinha dom para a coisa e resolveram me dar um cavalo, ou melhor, uma égua”, relata.
O título mais importante que ela conquistou até o momento veio aos 14 anos. Ágatha foi campeã da Copa dos Campeões na modalidade 6 balizas. O torneio reúne os melhores do ano do Brasil inteiro. “É um título muito importante para quem pratica este esporte”, explica ela, que sempre gostou de cavalos. “Meus pais me levavam para assistir e eu ficava encantada.”
A paixão pelos animais era tanta e tão precoce que, quando tinha apenas 2 aninhos, ganhou de presente dos pais uma piticinha (cruzamento de pônei com cavalo). “E eu não saía de cima.”
Quanto aos planos para o futuro, ela diz que eles começam agora, no presente. “Quero ser uma grande amazonas com muitos títulos importantes e, principalmente, chegar até Barretos. Quero também continuar tomando conta dos meus cavalos, fazer a faculdade de veterinária e montar um centro veterinário para animais de grande porte.”
Embora nem bem chegou à juventude, Ágatha sabe muito bem o que é ser jovem e quais seus desafios. “Ser jovem é viver a vida com intensidade, mas pensando no futuro, para poder ser uma adulta com responsabilidades. O principal desafio é ter liberdade, pois muitos adolescentes não sabem o que fazer com ela, e acabam entrando em caminhos errados.”
jcnet - Bauru
Adilson Camargo
http://www.jcdigital.com.br/flip/Edicoes/15481%3D02-09-2012/012.PDF
http://www.jcdigital.com.br/flip/Edicoes/15481%3D02-09-2012/013.PDF
Jovens são movidos por desafios
É na juventude, etapa da vida mais efervescente, que se travam as lutas e conquistas mais importantes e demarcadoras
No mês de setembro, duas datas celebram a juventude. A primeira na próxima quarta-feira, dia 5, Dia da Juventude, e a segunda no dia 22, Dia Nacional da Juventude. Essa é uma etapa da vida de todos que merece ser celebrada, não apenas nesses dois dias, mas o tempo todo e intensamente. Em Bauru, um grupo de jovens se destaca pela ousadia, persistência, talento e outras qualidades que fazem deles uma referência e um exemplo de como a perseguição de um sonho pode dar tempero à vida e deixá-la muito mais saborosa (leia mais na página 13).
Histórias como a do jovem Hugo Toffanelo, que acordou um belo dia e decidiu dar um outro rumo à sua vida. Um giro de 180 graus. Ele simplesmente fez as malas e foi tentar a sorte na Irlanda. “Meus últimos empregos (em Bauru) não estavam tão satisfatórios quanto eu queria”, conta. Ele trabalhou cinco anos em uma loja de departamento e outros tantos em uma financeira.
“Não é um trabalho fácil, cansa o corpo e a mente”, diz. Hugo relata que um sábado de manhã, acordou com o telefone de casa tocando e atendeu dizendo o nome da assessoria financeira. “Isso me deixou em pânico, e como já tinha alguns problemas anteriores devido ao estresse do cotidiano, decidir mudar. Foi a única saída!”, revela. “Eu precisava de um novo desafio, que me mantivesse vivo, entende? Algo grandioso!”
Foi quando no fim de 2008, juntamente com um amigo que também não aguentava mais o cotidiano caótico, decidiram partir. “Vendi meu carro, consegui um dinheiro com a família e fui à luta”, comenta. A decisão quanto ao destino já havia sido tomada. Era Dublin, capital da Irlanda, onde estavam alguns amigos deles.
Em princípio, a estadia seria apenas de um ano de intercâmbio, para aprender inglês e conhecer o país. Mas a realidade foi bem diferente para o jovem. “Chegando aqui, dei de cara com a oportunidade de conquistar muito mais que apenas um segundo idioma.” Ele conta que a experiência adquirida ao longo de três anos foram muitas, dentre elas conhecer pessoas de todo os lugares do mundo e países um tanto quanto exóticos como Marrocos, Egito e também desfrutar de lugares paradisíacos como Ibiza, na Espanha.
Cotidiano
Segundo ele, o cotidiano de brasileiros no Exterior, geralmente é bem duro (baseado em relatos de brasileiros na Irlanda). “Algumas vezes sofremos com a descriminação e nos sujeitamos a trabalhos desgastantes. Principalmente, porque o inverno é bem rigoroso e por ser um país que tem uma média de mais de 200 dias de chuva por ano.”
No entanto, de acordo com ele, não é nada que não se possa suportar e “levar no peito” como aprendizado de vida e, mais importante, aprender a dar valor ao que tem. “Infelizmente, só damos o devido valor às coisas quando não as temos mais. Isso inclui família, amigos, mordomias e conforto do lar, e acima de tudo morar no seu país”, lista ele.
Hugo passou três anos na Irlanda sem retornar para o Brasil. Ele fez isso há aproximadamente três meses. A demora, segundo ele, deu-se mais pela falta de dinheiro. Ele conta que o valor de uma passagem para o Brasil equivale a uma viagem de uma semana por países da Europa.
O jovem diz pensar no retorno ao País, mas antes quer concluir a faculdade de TI na Irlanda. “Penso no retorno sim, porque não existe lugar melhor no mundo que seu país de origem, junto de sua família e amigos”, afirma.
Para a psicóloga Gretta Rodrigues de Souza, um dos aspectos que têm diferenciado os jovens de hoje dos de ontem é o individualismo que afeta uma parte deles. Segundo ela, essa é uma particularidade que precisa ser melhor trabalhada e até prevenida pelos pais que hoje têm filhos pequenos, ou seja, que estão com a personalidade em formação.
Gretta diz que valores, como companheirismo e dedicação para se alcançar um objetivo de forma honesta, tem de ser ensinado dentro de casa. “Uma parte dos jovens tem recebido as coisas de uma forma tão fácil dos pais, que eles têm dificuldades quando precisam conquistar algo com o próprio esforço”, observa. “Quando tudo vem muito fácil, os jovens não aprendem a lutar.”
‘Ser jovem é ter fome de viver’
Ser jovem é ser multitarefa, é ter fome de viver, de fazer, de correr atrás. As palavras são da estudante de jornalismo Regiane Folter, que atualmente está na Inglaterra, fazendo um curso de inglês e cultura britânica na Universidade de Oxford. É um curso com duração de três semanas, com aulas e palestras todos os dias, e ainda inclui alguns passeios culturais, como visitas a museus.
Ela descobriu o intercâmbio pela Unesp, que tem parceria com o banco Santander. O banco realiza todos os anos uma série de programas de intercâmbios. O que ela está participando chama-se Top UK, e oferecia três vagas para alunos de diferentes universidades, com a Unesp entre elas. Uma das vagas ficou com Regiane.
“Uma das coisas mais legais desse intercâmbio é que eu não estou gastando com estadia e alimentação, já que estou morando e fazendo minhas refeições na faculdade Christ Church, em Oxford. E também não pago pelo curso. Então, meus gastos são bem pequenos”, relata.
Ela explica que exatamente por ter tantos benefícios e por ser um curso em uma das melhores universidades do mundo, a seleção foi muito criteriosa. “Eu fico muito feliz por ter passado e estar aqui representando minha universidade e o meu País. Acho que o certificado de Oxford vai enriquecer meu currículo e torná-lo mais atrativo para empresas de comunicação”, comemora.
A jovem pretende voltar ao Brasil, concluir o terceiro ano da universidade e correr atrás de oportunidades de estágio no quarto ano. Além do enriquecimento profissional, a experiência em um país estrangeiro é classificada como maravilhosa pela estudante. “Ela abre a cabeça, leva você a conhecer lugares, pessoas e situações que nunca imaginou e faz você refletir mais criticamente sobre o seu país e sua posição nele”, observa.
Ela diz que muitos jovens se sentem pressionados quando o classificam como “o futuro da nação”. “Apesar de acreditar nessa premissa, acho que essa ideia pode assustar alguns jovens, ao invés de ser algo motivador.”
Regiane aponta ainda um certo preconceito da sociedade com os jovens, como se fossem sinônimos de bagunça e de irresponsabilidade. “Será que foi por sorte que eu consegui esse intercâmbio, ou por trabalho duro e dedicação? Meu professor aqui em Oxford disse uma frase que define muito bem vários jovens que eu conheço: ‘party hard, work harder’, ou seja, ‘divirta-se muito, trabalhe ainda mais’. É assim que eu vejo a juventude hoje em dia”, conclui.
Quem também trabalha duro, mas para manter o corpo em perfeita sintonia com a mente é o jovem Caio Kasai, 16 anos. Praticante do crossfit, um programa de condicionamento físico recém-chegado a Bauru.
A novidade promete um amplo, geral e equilibrado nível de aptidão física e saúde para qualquer tipo de pessoa, independente da idade, nível de condicionamento físico, seja este iniciante ou atleta avançado.
O coach Kiko Mendonça explica que o treinamento é baseado em exercícios funcionais (do dia a dia) de alta intensidade e capaz de proporcionar bons resultados em um curto período de tempo.
Ele cita inclusive um episódio envolvendo uma aluna que esqueceu as chaves de casa e não tinha como entrar. Segundo o coach, graças ao treinamento do crossfit, ela conseguiu pular o muro de três metros de altura e entrou. Mas para chegar a este estágio tem de suar muito.
É o que faz Caio, diariamente. Segundo ele, o crossfit permite que ele faça os esforços do dia a dia com mais qualidade e menos riscos para o organismo, como agachar, saltar e levantar peso. De acordo com ele, o problema é que no começo o corpo todo dói em razão do esforço exigido pelo treinamento.
Nascidos para vencer
Alguns jovens exibem talento precoce para determinados esportes e são grandes promessas para o futuro
Eles estão chegando agora à juventude e já apresentam as credenciais. São troféus e medalhas conquistados com muito suor e sacrifício. São jovens talhados para o sucesso, mas que, apesar das diversas conquistas, mantêm os pés bem firmes no chão.
O ginasta Henrique de Lima vem chamando a atenção no mundo esportivo já há algum tempo, não apenas em Bauru, mas fora daqui também. Hoje, ele está com 15 anos, mas com 13 já enchia o pescoço com medalhas de ouro. Ele estreou em competições oficiais em 2009, quando tinha apenas 12 anos. Na ocasião, o técnico Genivaldo Carlos da Silva, o “Massa”, relata que os resultados não foram expressivos. Foi um começo discreto.
No entanto, no ano seguinte, nos Jogos Regionais de Lins, o talento emergiu. Henrique venceu quase todas as modalidades que disputou. Das oito que participou, ele ficou com a medalha de ouro em seis e em outra ficou com a de prata, totalizando sete medalhas.
Em 2011, o garoto foi campeão brasileiro na ginástica de solo na categoria infantil. Este ano, novamente em Lins, nos Jogos Regionais, ele conquistou quatro medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze. “O Henrique está evoluindo muito rápido”, observa o técnico.
Ciente dessa evolução, o menino faz planos ousados, bem a cara dos jovens, mas nada impossíveis. “Penso em participar das Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro. Esse é o meu objetivo. Sei que vai ser difícil, mas isso não é motivo para eu desanimar. Sei que tenho de me esforçar muito, e estou disposto para isso”, afirma. Henrique treina de segunda à sexta-feira, três horas por dia.
Disposição semelhante exibe a jovem amazonas Ágatha Christal, 16 anos, que, apesar da pouca idade, coleciona troféus de todos os tipos e tamanhos. “Faço o esporte mais lindo do mundo, que poderia estar dentro dos esportes das Olimpíadas, mas infelizmente não está, que é a prova dos 3 tambores e 6 balizas”, diz ela.
Aos 13 anos, ela já dava mostras de que levava jeito para a coisa. “Eu tinha apenas 39 dias de treinamento na escolinha de tambor e baliza, e minha classificação foi o 3º lugar, com o cavalo da própria escolinha. Nessa época, eu ainda não tinha meu próprio cavalo. Com esse resultado, meus pais viram que eu tinha dom para a coisa e resolveram me dar um cavalo, ou melhor, uma égua”, relata.
O título mais importante que ela conquistou até o momento veio aos 14 anos. Ágatha foi campeã da Copa dos Campeões na modalidade 6 balizas. O torneio reúne os melhores do ano do Brasil inteiro. “É um título muito importante para quem pratica este esporte”, explica ela, que sempre gostou de cavalos. “Meus pais me levavam para assistir e eu ficava encantada.”
A paixão pelos animais era tanta e tão precoce que, quando tinha apenas 2 aninhos, ganhou de presente dos pais uma piticinha (cruzamento de pônei com cavalo). “E eu não saía de cima.”
Quanto aos planos para o futuro, ela diz que eles começam agora, no presente. “Quero ser uma grande amazonas com muitos títulos importantes e, principalmente, chegar até Barretos. Quero também continuar tomando conta dos meus cavalos, fazer a faculdade de veterinária e montar um centro veterinário para animais de grande porte.”
Embora nem bem chegou à juventude, Ágatha sabe muito bem o que é ser jovem e quais seus desafios. “Ser jovem é viver a vida com intensidade, mas pensando no futuro, para poder ser uma adulta com responsabilidades. O principal desafio é ter liberdade, pois muitos adolescentes não sabem o que fazer com ela, e acabam entrando em caminhos errados.”
jcnet - Bauru
Adilson Camargo
http://www.jcdigital.com.br/flip/Edicoes/15481%3D02-09-2012/012.PDF
http://www.jcdigital.com.br/flip/Edicoes/15481%3D02-09-2012/013.PDF
Comentários
Postar um comentário